Política

PT: Partido ou Religião?

(eis a questão…)

Quando um cidadão encontra o Partido dos Trabalhadores, encontra um tesouro. Vale a pena vender tudo para comprar o campo onde o tesouro está enterrado. O PT não é o melhor dos partidos políticos. É o único partido verdadeiro. Os outros são simulacros de partido.

A alegria de ter encontrado a verdade, faz com que o cidadão, para filiar-se ao PT, renuncie a tudo. Uma vez filiado, ele não terá mais direito de escolher seus candidatos. Seu dever será “votar nos candidatos indicados” pelo Partido. (Estatuto do Partido dos Trabalhadores, aprovado em 11/03/2001, art. 14, inciso VI). Se for candidato a um mandato parlamentar, deverá reconhecer expressamente que o mandato não é seu, mas que “pertence ao partido” (art. 69, inciso I). A obediência ao Partido é sagrada. Está acima de tudo: de suas opiniões pessoais, de suas convicções, das reivindicações dos eleitores. Só em casos extremamente excepcionais, o parlamentar poderá ser dispensado de cumprir as ordens do alto, para seguir sua consciência ou o clamor dos que nele votaram (art. 67 § 2º).

Com alegria o filiado pagará anualmente uma contribuição proporcional ao seu rendimento (art. 170). Se ocupar um cargo executivo ou legislativo, a contribuição não será anual, mas mensal, obedecendo a uma tabela progressiva (art. 171 e 173). Mas a alegria de ser filho do verdadeiro Partido faz com que todas essas imposições pareçam leves.

Dentro do Partido, zela-se não só pela unidade (“que todos sejam um”), mas pela uniformidade. Frações, públicas ou internas ao Partido são expressamente proibidas (art. 233 §4º). No entanto, os filiados podem organizar-se em “tendências” (art. 233). Estas, porém, estão submissas às decisões partidárias e ao encaminhamento prático do Partido (art. 238). Nenhum filiado poderia, por exemplo, organizar uma tendência para combater o “casamento” de homossexuais ou a legalização do aborto, que são bandeiras do Partido. As tendências não podem ter sedes próprias (art. 235 “caput”), não podem reunir-se com não-filiados (art. 235 §3º) e não podem difundir suas posições fora do Partido (art. 236 §1º). Mesmo que uma tendência deseje publicar documentos seus contendo posições oficiais do Partido, está proibida de fazê-lo (art. 236 §2º). O petista submete-se a todo este mecanismo de controle, ciente de que o Partido sabe o que faz.

Se sou vereador e o Partido me proíbe de propor um projeto de lei pró-vida, não tenho motivo para reclamar. O Partido deve ter suas razões. Se sou senador e cabe a mim a tarefa de emitir um relatório sobre um projeto de aborto, eu, por fidelidade ao PT, não posso manifestar-me contra a proposta. Devo agradecer ao Partido por ele, benignamente, permitir que eu passe o encargo de relator a um colega abortista. Se sou deputado federal e o Partido manda que eu me ausente de uma sessão deliberativa, onde meu voto, contrário ao aborto, atrapalhará a aprovação de um projeto, a resignação será minha melhor atitude.

Tudo isso e muito mais vale a pena. Pois todos os outros partidos são comprometidos com as oligarquias, com o neoliberalismo, com a classe dos opressores, e não dão importância aos pobres, aos excluídos, aos marginalizados, aos explorados, aos sem voz e sem vez. Pertencer ao PT é uma glória tão grande que justifica qualquer custo.

Se sou petista, pouco me importa que Lula e Fidel Castro tenham fundado em 1990 o Foro de São Paulo para fortalecer a ditadura cubana. Não me interessa que, em dezembro de 2001, Lula tenha elogiado o regime comunista de Cuba durante sua viagem a Havana, nem que lá estivessem presentes chefes narco-guerrilheiros colombianos.

Se sou petista, não quero saber por que entre os oitos projetos de lei abortistas em tramitação no Congresso Nacional, seis são de autoria do PT. Não me interessa explicar por que nenhum parlamentar petista, desde a mais humilde Câmara Municipal até o Senado Federal, tenha ousado propor um projeto de lei antiabortista.

Aliás, o bom petista jamais chegaria até esta linha do artigo. Muito antes já teria parado a leitura por considerá-la perigosa à fé que ele tem no Partido. Fora dessa fé não pode haver salvação.

Agora, uma pergunta final, com vistas as eleições de 27 de outubro: pode um cristão votar no PT? Pode. Mas antes ele precisa trocar sua Certidão de Batismo pela Certidão de Petismo. Duas religiões antagônicas não podem coexistir num mesmo fiel.

Anápolis, 27 de outubro de 2002

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis

Marcel Barboza Administrator
O responsável pelo site é Licenciado em Filosofia pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) e Especialista (pós-graduado) em Filosofia e Ensino de Filosofia pelo Centro Universitário Claretiano (CEUCLAR). Editor e professor.
×
Marcel Barboza Administrator
O responsável pelo site é Licenciado em Filosofia pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) e Especialista (pós-graduado) em Filosofia e Ensino de Filosofia pelo Centro Universitário Claretiano (CEUCLAR). Editor e professor.
Mostrar mais

Marcel Barboza

O responsável pelo site é Licenciado em Filosofia pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) e Especialista (pós-graduado) em Filosofia e Ensino de Filosofia pelo Centro Universitário Claretiano (CEUCLAR). Editor e professor.

4 Comentários

  1. Favor enviar o e-mail de contato de voçês. Também desejo comprar a Suma Teológica de São Tomaz de Aquino.

    Um forte abraço,

    Juarez Assunção.

  2. NAZISTAS, FASCISTAS, SOCIALISTAS-COMUNISTAS: ESQUERDISTAS IGUAIZINHOS E SERVIDORES DE UM ESTADO “SR. deus TODO PODEROSO”

    Não há diferenças entre os nazistas-fascistas com mais de 20 000 000 de mortos em curto período e socialistas-comunistas com muito mais de 150 000 000 de mortos e, se os conferirmos com Hitler-Mussolini, concluiremos serem da mesma estirpe e métodos de ação esquerdistas; aliás, há também muitos elos entre o protestantismo e ambos regimes, e foram os Estados alemães protestantes e com média de 47% que deram a vitória a Hitler.
    A fundamentação é a mesma: os acima situam-se sobre um adorado Estado, um sr. deus todo poderoso, provedor de tudo e dasas regras, diz-se “democrático e representante do povo”, porém, é totalitarista, repressor, materialista e ateu, excluindo arbitrariamente os contestadores “em nome do povo” e, como sempre fracassa, culpa os outros, jamais admitindo sua deficiência.
    Difere-se do Estado democrático, o de direita: que privilegia a livre iniciativa, as empresas privadas, as liberdades gerais etc, assim como a escolha dos representantes que, por má gestão ou fraude, podem destituir do cargo ocupado, o “impeachment”; idem, aprovam na íntegra o Direito Romano, concedendo poderes a cidadãos prejudicados pelo Estado a exigir ressarcimento.
    Quanto à imprensa, menina dos olhos dos nazi-fasci-social-comunistas é controlada, veiculando apenas notícias ideologizadas em laboratórios de engenharia social, de interesse governamental, sob critérios do “adapta-se ao regime ou é cassada”; detestam a imprensa livre e esforçam-se a todo custo por aprovar leis coibindo-a ou cassando.
    As famílias, devido à repressão do pátrio poder ao ensino familiar e religioso, reduzem-nas praticamente a “granjas” de reprodução de seres humanos para o Estado, em escolas onde doutrinam as crianças desde a tenra idade na cartilha materialista e ateia as gerações de novos fantoches anti-cristãos, favoráveis a aborto, uniões gays, glbts, kit gays, ideologia do gênero, etc.; privilegiam sobremodo o desporto para se moldarem seres de qualidade superior em benefício do Estado; permitem-se todas as religiões não interferentes na ideologia do sistema, como as relativistas: as TJs, seitas e as ocultistas; porém, a hierarquia, doutrina e instituição extremamente odiadas e combatidas sem trégua são da Igreja Católica.
    E mais: privilegiam o coletivismo, em detrimento do individualismo e da livre iniciativa, daí a estatização de empresas ou então um rígido controle sobre seus lucros; a reforma agrária se mantém quase nos mesmos moldes, com expropriação de terras quando necessário for, a critério do Estado e tudo o mais atinente a hermético totalitarismo.
    Os nazi-fasci-social-comunistas usam a todo instante jargões populistas, sabem encenar, fazem-se de vítimas, para eles “mentir” é virtude e “todos os meios justificam os fins”, baseiam-se em teorias de Marx: nada há de “absoluto, definitivo e sagrado”, por serem materialistas e ateus. Antes de eleições praticam até o catolicismo e enganam os incautos.
    O S Papa Bento XVI em ida à Alemanha, cidade de Erfurt, nomeou-os de “chuvas ácidas”, ao socialismo-comunismo de “peste vermelha” e ao nazismo-fascismo de “peste negra” ; incluem-se nas condenações: membros, colaboradores e eleitores e, se católicos, excluem-se no ato da Igreja por grave apostasia; quem vota no PT renuncia a Deus e prefere ser governado pelo diabo!

  3. Louvado seja Deus
    Tudo a Jesus, Maria e José
    Pelo o amor que tenho a tudo, venho dizer que o Padre Luis Carlos Lodi, deve estar equivocado com seu pensamento favorável ao PT, que ele diz politica correta . Creio que ele deve pensar melhor no que ele assumiu de ser um pastor de vidas fora do rebanho ao ter referências dos nomes citados. Não tenho a menor pretensão de valorizar aqueles que agem em favor de quem é matador de crianças, ladrões de corruptos e muitas coisas que vão aparecendo. A igreja é para arrebanhar sim, mas deve defender o que está mais sendo levado para outros caminhos pelos politicos em geral. Padre Luis, infelizmente não há nada que eles façam sem ter uma vantagem, o senhor sabe muito bem. Fidel nunca fala de DEUS, tambem não seja um deles transvestido de religioso. Deus te proteja e Nóssa Senhora lhe cubra sua cabeça e sua mente com seu manto Sagrado.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo