Um santo doutor
Terça 18 Novembro 2008 at 01:29 am “Non minus inter sanctos doctissimus quam inter doctos sanctisimus” [O mais santo dos homens cultos e o mais culto dos homens santos] (Cardeal Johannes Bessarion [1403–1472]).Deixemos um pouco de lado os infames protestantes. Depois de tantos fatos, continuar nesse caminho é já “chutar cachorro morto”.
Voltemo-nos agora àquilo que de fato nos prende em dever a este blog, qual seja discorrer sobre a doutrina do Aquinate.
O que importa sobretudo é que os leitores aprendam como não se pode subir às alturas senão com a ajuda de duas asas: a piedade e a ciência.
Quando dizemos que Santo Tomás foi o mais sábio dos santos e o mais santo dos sábios, entendemos afirmar que nele doutrina e santidade se igualavam e foram ambas sumas; assim pôde subir a uma culminância que outros nem sequer lograram tocar.
Feliz de quem souber segui-lo por esse caminho, pondo, a exemplo dele, como fundamento da vida, a humildade que nos faz grandes, e a pureza do coração, à qual é concedida a visão de Deus.
A crise do mundo moderno – e entenda-se aí toda espécie de crise, da Fé aos costumes – parece tornar-nos ainda um tanto mais cegos. Explico-me: Como a empulhação, a ignorância, a maldade mesmo imperam tão ostensivamente no orbe católico, todos nós que nos sentimos católicos, que nos sentimos soldados da Igreja desfigurada de Nosso Senhor, temos a forte tentação de nos crermos numa altura que não corresponde à realidade. Assim acontece cada vez mais frequentemente com muitos ditos tomistas modernos. Considerando-se baluartes da Filosofia e Teologia católicas, sectarizam e apoderam-se de um Santo Tomás irreal, "pau pra toda obra".
Como diziam meus professores de Filosofia: “o bom é inimigo do melhor”. Como discorria no início, sem a asa da piedade, da contrição, do aniquilamento do eu, da mortificação... nossa ciência é vã e nossas palavras não são mais do que repetição estéril. Repetição de algo bom, certamente, mas repetição, sem vida, sem correspondência com o agir da alma em fim de nossa salvação.
A pretensão de ser tomista exige de nós não descurar da figura do santo, do frade humilíssimo, do ingênuo “boi mudo”. Não disporemos de verdadeira ciência sem suplicar antes a graça, sem nos colocarmos diante dela como o menor dentre os homens. Quando pensamos que o Doutor Angélico, ao fim da vida, depois de um êxtase durante a oração disse que lhe foi revelado que o que escreveu não passava de palha, é para nos envergonharmos, nos rebaixarmos mesmo, nos colocarmos em nosso devido lugar. Diante da pergunta de uma sobrinha se não precisava de alguma coisa, Santo Tomás lhe respondeu: Não me falta nada; e daqui a pouco terei tudo.
Tenhamo-nos, meus irmãos, esse mesmo sentimento se pretendemos subir às alturas de tão nobre ciência. Rogai por nós, Santo Tomás, para que não nos desviemos nunca do mesmo fim que em vida tanto perseguistes. Oremus invicem.