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O feminismo de Lutero

Segunda 15 Setembro 2008 at 05:05 am Eis aqui a lei de Lutero: Todo o homem deve ter a sua mulher e toda mulher deve ter o seu marido. (Weimar. Vol. 20 pág. 276).
Ele admite umas exceções, mas estas são feitas por Deus, e são admiráveis, e ninguém pode pretender a um tal milagre.
Quereis agora saber como Lutero, o reformador enviado por Deus no conceito protestante, considera a mulher? Lede o seguinte tópico de uma das suas cartas: “O corpo das mulheres não é forte, e a sua alma é ainda mais fraca, no sentido comum.
Assim é um assunto sem importância que o Senhor coloque uma selvagem ou civilizada ao nosso lado. A mulher é meio criança. Aquele que toma uma mulher deveria considerar-se como o guarda de uma criança... ela é semelhante a um animal caprichoso (ein tolles tier). Reconhecei a sua fraqueza. Se nem sempre passeia por caminhos direitos, guiai a sua fraqueza. Uma mulher permanece eternamente mulher”. (Weimar - Vol. XV. p. 420).
Eis uma pequena amostra de suas idéias neste assunto.
Muitas outras passagens há em seus escritos, porém vergonhosas demais, para serem citadas em público.
É conhecida a licença dada por Lutero ao Landgrave de Hesse, para ter duas mulheres ao mesmo tempo.
O reformador dá-lhe a licença pedida, exigindo segredo, porque, diz ele, a seita protestante é pobre e miserável, e precisa de justos legisladores. (De Wette vol. V - pág. 237).
O direito de possuir muitas mulheres era abertamente pregado por Lutero: “Não é proibido ter o homem mais de uma mulher. Hoje eu não poderia proibir isto”. (Erlangen vol. 33 -- pág. 324).
“Confesso, diz ele ainda, que se um homem deseja casar com muitas mulheres, eu não posso proibir isto, pois não é oposto à S. Escritura”. (Ego sane fateor, me non posse prohibere si quis plures uxores velit ducere, nec repugnat sacris litteris. - (De Wette vol. II p. 459).
Com tais princípios a porta da poligamia estava escancarada, e cada qual, transpondo-a, podia trilhar o caminho da animalidade.
O Landgrave de Hesse o compreendeu muito bem e melhor ainda o aplicou: “Se é justo em consciência perante Deus, disse ele, que me importa o mundo amaldiçoado?”
O adultério, com o consentimento do marido, é também expressamente sancionado pelo reformador, quando do casamento não resultar família.
A criança, assim gerada, diz ele, deve atribuir-se ao marido legal”. (Weimar vol. 11. p. 558).
O conservar uma amásia também é fortemente recomendado àqueles que por votos se devem conformar com a lei do celibato.
O moralista da lama escreve sobre os transgressores das leis matrimoniais: “Deixemos que casem secretamente com a sua cozinheira”. (Lanterbach: Tagebuch, p. 198).
Aos membros da Ordem Teutônica (cavaleiros seculares) a quem era imposto o celibato pela lei da cavalaria daquele tempo, e que pensavam pedir dispensa desta ao Concílio (o que lhes era permitido, pois eram seculares), ele escreveu assim: “Eu preferia confiar na graça de Deus com relação àquele que tem duas ou três concubinas a confiar em quem possui uma esposa legal com o consentimento do Concílio". (Weimar• vol. XII p. 237).
Quando ao que o apóstata diz da esposa que recusa sua obrigação é vergonhoso citar as palavras do infame moralista, que escreve: “Se a mulher não quiser, deixemos vir a criada. O marido tem somente que deixar ir Vasti e tomar uma Ester, como o rei Assuero”. (Ibid. Vol. X. p. 290). “E se a esposa reclamar, o marido deve responder à admoestação: Vá para o diabo”. (Ibid. vol. III. p. 222).
Passagens tais são abundantes nos escritos do reformador.
Apesar de bastante remelentas, convinha citar estas para mostrar a verdadeira fisionomia do libertino Lutero, o homem que os protestantes dizem divinamente apontado por Deus para a missão de reformar a Igreja Católica.
Às vezes, de acordo com tais necessidades, Lutero tem passagens diametralmente opostas a estas aqui mencionadas; é o resto da sua herança católica. O que está aqui expresso é dele e só dele: é a sua doutrina reformada - é o seu evangelho.
Poderá uma senhora protestante simpatizar com este seu fundador e modelo que trata tão mal e desrespeita de modo tão claro a fama e o pudor da mulher?...
É simplesmente infamante e horrendo, baixo e vil o conceito de Lutero sobre as mulheres que garante serem vidas impuras e pecaminosas (Erlangen vol. 11, pág. 66).
Pobres protestantes, é para cobrirdes o rosto de pejo, diante de um tal pai...
Suponho que não sois bons protestantes, porquanto, se o fosseis, seguiríeis o exemplo de vosso pai... e não acredito que o façais.
Prefiro supor-vos maus protestantes, para vos poder considerar bons cristãos... homens de fé e pessoas de moral.

É tempo de cessarmos a exposição de uma cena tão triste, mais parecida com um quadro de romance imaginário, que com um episódio da vida real.
Tudo o que os adeptos do “pai” do protestantismo escreveram sobre os predicados morais do “grande homem” não passa de invencionice. Elemento mais perdido e baixo impossível aparecer. A pequena amostra acima é suficiente para demonstrá-lo. E note-se bem nada ter sido aqui inventado, mas basear-se tudo nos escritos do próprio reformador e de seus contemporâneos que, de certo, não aumentaram, mas restringiram o mais possível o lado vergonhoso dos fatos. Seria este crapuloso homem aquele que Deus destinara para reformador da Igreja Católica?
O verdadeiro retrato de Lutero, o único que a posteridade pôde admitir, é o que a nós foi transmitido pela história real e genuína dos fatos.
À vista de tais delitos e baixezas, bem podemos repetir a palavra do divino Mestre: Ex fructibus eorum cognoscetis illos: Pelos seus frutos os conhecereis.
Vimos de perto os frutos da reforma: são tristíssimos, mas são dignos rebentos da árvore que Lutero plantou, com sua triste rebelião e o exemplo de sua mais deplorável vida.